Há algo de muito impressionante em construir uma marca que vai além do espaço físico da loja — uma marca que reflete quem somos, mantendo-se ao mesmo tempo fiel aos valores do nosso negócio. Sam Rascals (também conhecido como Sam Bentham) fez exatamente isso, causando impacto no setor dos barbeiros, tanto online como offline.
Se o nome lhe parece familiar, mas ainda não consegue lembrar-se bem de onde o ouviu, ele também participou na 14.ª temporada de Geordie Shore — um momento icónico. Mas, após a sua passagem pelos reality shows, Sam voltou às suas origens como barbeiro e encarou a sua carreira com uma nova perspetiva. Com o desejo de ser independente e de traçar o seu próprio caminho, criou três empresas e continua, até hoje, a fazer crescer o seu nome.
Conversámos com o barbeiro de Newcastle sobre de tudo um pouco: desde as mudanças no mundo da cabeleireira (spoiler: o mullet veio para ficar) até às viagens, ao sucesso e às suas formas preferidas de descontrair. Também abordamos a vulnerabilidade, a ambição e o medo, tão comum, de não sermos suficientes.
Leia a nossa conversa abaixo…
via @samrascals_
Q: Construiu uma marca que vai muito além do espaço físico da barbearia. Entre gerir três negócios e conquistar uma enorme base de seguidores online, a sua presença estende-se tanto ao mundo digital como ao físico. Com tanta coisa a acontecer, como gosta de desligar e fugir a tudo isso? Tem algum lugar preferido onde vá para recarregar as energias?
R: Viajo para Ibiza ou Berlim. São as minhas cidades de eleição quando quero mimar-me e descontrair completamente.
P: Porquê?
R: Não saio para a festa em Inglaterra, de forma nenhuma. Quando estou aqui, estou a trabalhar. Mas quando vou a Ibiza, desligo-me mesmo e divirto-me. Em Berlim, a cena dos clubes é simplesmente de loucos. Nenhum outro lugar se compara realmente. É mesmo muito diferente de qualquer outro lugar. Também adoro música techno. Não tanto no dia a dia, quando estou em Inglaterra, mas quando estou em Berlim, é disso mesmo que gosto.
P: Conseguiu entrar no Berghain?
R: Já estive no Berghain algumas vezes e é uma loucura. É uma grande honra até conseguir entrar [risos].
P: Há algum estilo ou técnica internacional que tenha visto a ser trazido de volta para o Reino Unido?
R: Não é uma técnica específica, mas tenho claramente notado uma forte influência da Europa de Leste e da Rússia a começar a surgir nas tendências do Reino Unido, especialmente nos cortes mod modernos. Eles fazem esses estilos há anos e agora estão finalmente a ganhar popularidade por aqui.
Também tenho visto alguns penteados muito interessantes a surgir em Berlim. Há um grande gosto por aquele visual comprido, despenteado e com ar vivido, e é esse o tipo de trabalho de que realmente gosto. É, sem dúvida, algo sobre o qual ainda estou a aprender mais, porque se aproxima um pouco mais do cabeleireiro do que da barbearia tradicional. Mas é sempre fixe buscar inspiração quando estou por lá.
P: Qual foi a maior mudança que viu no cuidado pessoal masculino nos últimos anos?
R: Tinha a certeza de que o mullet ia ser uma moda passageira, mas afinal não foi. Evoluiu muito ao longo do tempo e agora existem imensas variações. Quando os mullets começaram a voltar, só havia uma maneira de os cortar: mal. Mas, com o tempo, barbeiros e cabeleireiros aprenderam a cortá-los corretamente e, à medida que essas técnicas se aperfeiçoavam, os estilos também evoluíam. Agora, existem imensas variações. Há quem o queira um pouco mais afunilado, mais comprido, mais despenteado ou mais definido. Acho mesmo que vão durar algum tempo.
Outro estilo muito popular é o corte rapado. Antigamente, se alguém fazia um corte rente, ficava com as linhas bem definidas e supermarcadas. Agora, as pessoas preferem versões mais suaves — não se delimita a franja nem se exagera no degradé. É um corte rapado mais natural e com um aspeto mais usado. Parece que o fizeste tu mesmo. Não está a alinhar nem a esforçar-se demasiado. Ainda tem algum comprimento para poder aplicar produto, despentear e até deixá-lo cair atrás. Os cortes rapados perderam popularidade durante algum tempo, mas estão definitivamente a regressar.
P: Porque é que acha que estes estilos mudaram ao longo dos anos?
R: Quando os skin fades surgiram pela primeira vez, há cerca de 10 anos, houve uma grande fase em que tudo tinha de parecer o mais preciso possível. Mas, à medida que mais estilos foram evoluindo, as pessoas começaram a afastar-se disso. Acho que é porque já temos esse visual superdefinido há cinco, seis, sete anos.
Também tem a ver com maturidade. Na adolescência ou no início dos 20 anos, queremos ter um visual elegante. Mas, à medida que envelheces, não é que te importes menos; simplesmente o visual torna-se mais maduro e natural.
Mesmo se pensarmos em discotecas e bares, há cinco ou seis anos nunca se entrava de calças de treino. Agora é quase o contrário. Quanto menos te esforçares, melhor. Antigamente, tinha de usar os sapatos e as calças de ganga certos e ter um visual apresentável. Agora, se quiser, pode aparecer de fato de treino [risos].
via @samrascals_
Q: Que conselho gostaria de ter recebido quando estava a começar?
R: Invista na educação. Aprende com o maior número possível de pessoas. Ter um mentor é ótimo, mas observar e aprender com vários educadores vai ensinar-lhe muito mais a longo prazo.
P: A propósito, podemos falar sobre a Rascals Education Academy e como ela surgiu?
R: Então, inicialmente, o plano era fazer eventos presenciais. Mas rapidamente percebemos que a procura era enorme e que, simplesmente, não era viável — tanto em termos do número de pessoas que conseguiríamos alcançar como do tempo e do esforço que isso exigiria.
Fazia mais sentido criar um produto online. A educação online ganhou uma enorme dimensão, e esse universo não para de crescer. Ainda demora a criar o conteúdo, mas vale muito mais a pena porque dá às pessoas acesso ilimitado. Assim que tudo estiver filmado e a plataforma de formação estiver totalmente construída, não precisaremos de continuar a filmar. O conteúdo estará disponível sempre que as pessoas quiserem aceder-lhe.
P: Qual é o seu maior receio no que toca a manter o seu nível de sucesso atual?
R: O objetivo final é tornarmo-nos uma marca reconhecida mundialmente. Quero ter salões por todo o mundo e quero que os meus produtos capilares estejam em todo o lado. Quero ser a Toni & Guy desta geração.
Mas mesmo que chegue a esse ponto, sei que ainda vou querer mais. Acho que simplesmente está em nós — essa motivação constante. Se tivesse voltado 10 anos atrás e dito ao meu eu mais jovem: "É aqui que estarás daqui a 10 anos", provavelmente teria pensado: "Uau, consegui." Mas a verdade é que nos acostumamos ao que temos.
Estou incrivelmente grato pelo que construí, mas ainda não estou onde quero estar. Também há, sem dúvida, um toque de síndrome do impostor — aquela sensação de que não se está a fazer o suficiente. Há dias em que acordo e sinto que não consegui grande coisa, mesmo quando consegui. Mas acho que é assim que muitas pessoas extremamente bem-sucedidas pensam. É aquela mentalidade de estar sempre a esforçar-se e de nunca parar de lutar. Sei que tenho isso.
via @samrascals_
Q: Qual é o teu local preferido em Manchester quando precisas de te desligar do trabalho e das redes sociais?
R: Há um lugar chamado Fix, que é um espaço com sauna e banho de gelo.
P: O que há nas saunas e nos banhos de gelo que te ajuda a desligar?
R: É o único lugar onde consigo realmente desligar. Ultimamente tenho trabalhado imenso, e a maior parte do trabalho é no telemóvel, por isso ir à sauna e ao banho de gelo é um ritual agradável em que não estou no telemóvel nem a falar. Faz-me sentir bem. Também exige disciplina, porque, no início, não apetece mesmo fazê-lo, mas, quando se começa, é só seguir em frente. Na verdade, dá-te uma sensação boa.
P: Algum truque de cuidado pessoal?
R: Uso uma aplicação chamada Yuka para encontrar os meus produtos de cuidado pessoal. Lê-se o código de barras e a aplicação atribui uma classificação com base no quão agressivos ou puros são os ingredientes. Analisa tudo em detalhe, incluindo tudo o que é considerado prejudicial ou irritante.
P: Quais são os seus produtos preferidos para o cuidado pessoal em casa?
R: Depois de ler o código de barras de vários produtos na Yuka, descobri que o Sanex era o melhor em termos de gel de banho. Tem a menor quantidade de produtos químicos agressivos, por isso é o que uso agora.
Para desodorizante, uso uma marca chamada Fussy. É um desodorizante em stick que não contém alumínio, o qual pode ser prejudicial para os poros e ser absorvido pelo corpo.
Para o cuidado da pele, uso Kiehl's. Ainda não analisei os produtos deles, mas baseio-me na sensação que deixam na minha pele. Não causa qualquer irritação, o que é importante para mim, porque tenho a pele bastante sensível.
P: Que passatempo ou interesse surpreenderia as pessoas se soubessem que gosta dele?
R: Pode não ser assim tão surpreendente, mas gosto mesmo de fitness: fazer musculação, praticar boxe, correr. Dito isto, quando era mais novo, tinha uma obsessão pelo World of Warcraft.
P: Se alguém tivesse 24 horas em Manchester e quisesse viver o dia como tu, como seria?
R: Comece no Northern Quarter com um café. Depois, ir ao Another Heart to Feed para um brunch. Depois disso, vá treinar ao Federation Gym e, de seguida, dê um passeio à beira do canal ou pela Ancoats Marina. Tome um batido ou uma taça de açaí no Açaí and the Tribe e, depois, jante no Lucky Ramen. Termine o dia no Fix.
Marque o seu lugar na Rascals Barbershop.
